Saudações enxadrísticas!

Esse artigo vos é trazido com o objetivo de prover uma reflexão sobre dois temas bem comuns no universo do brasileiro. xadrez e música2.jpg

Embora o xadrez tenha um bom número de praticantes em nosso país, ele ainda perde em preferência para esportes coletivos como o futebol, por exemplo. O que não significa absolutamente nada, pois uma pessoa pode ser feliz e satisfeita praticando ambos ou apenas um de cada desses esportes.

Dito isso, reflitamos sobre o seguinte: poderia haver alguma relação entre o xadrez e a música? Talvez esse seja um questionamento complexo, mas uma boa tentativa de resposta pode ser encontrada na figura que ilustra este artigo.

Poderíamos conceber o seguinte: o tabuleiro de xadrez é um campo de batalha onde se digladiam torres, damas, cavalos, bispos, reis e peões, mas e a música? A música é um campo subjetivo onde se posicionam sons e silêncios que podem produzir sensações diversas em quem a ouve. Sendo assim, numa determinada canção pode existir tensão ou paz e repouso, por exemplo.

Uma primeira relação que pode ser observada é que tanto no xadrez quanto na música existem ações preparatórias. Calma que eu explico! No xadrez existem muitos movimentos ditos preparatórios, cada um com sua função. Normalmente eles preparam a entrada de uma combinação que atingirá um objetivo específico e podem envolver sacrifícios ou não. Na música algumas dessas ações preparatórias são feitas pelos acordes do quinto grau acrescentando a sétima menor, que criam a condição harmônica de poder voltar para a tônica da canção restaurando a atmosfera de paz e repouso inicial. Para essa informação ficar mais clara para quem não está acostumado com o universo musical, seria como se as notas tivessem cada uma o seu valor de referência numa escala ascendente. Imaginando isso com as sete notas musicais conhecidas iniciando pelo dó seria assim: dó (1ºgrau), ré (2ºgrau), mi (3ºgrau), fá (4ºgrau), sol (5ºgrau), lá (6ºgrau) e si (7ºgrau). Aí, considerando que a nossa canção estivesse na tonalidade de dó maior, por exemplo, o acorde preparatório que foi mencionado aqui seria Sol com sétima, que prepara o terreno para a paz e o repouso da tônica, que aqui seria o dó. Apenas fiquem atentos que a sétima do acorde de Sol não seria a mesma que está descrita nessa sequência que iniciou pelo dó, para descobrir que nota é essa você teria que fazer um caminho semelhante iniciando pela nota sol.

Mas e que outras relações entre esses temas poderiam ser feitas? Normalmente para os leigos, pessoas que praticam xadrez e pessoas que escutam música clássica são vistas como pessoas calmas e centradas. Isso é um mito, uma generalização apressada, como diria qualquer bom filósofo. No xadrez, há muitos jogadores e até Grandes Mestres com perfil temperamental e gênio explosivo, o que refuta essa informação trazida anteriormente através do universo do senso comum. Já na música clássica, alguns dos maiores artistas desse período tinham temperamento rebelde, pois viviam em sociedades e ambientes muito restritivos e suas percepções e sensitividades diferenciadas traduziram uma série de sentimentos, ora claros, ora confusos, através da linguagem musical.

Mas e será que poderia se traçar um paralelo entre esses dois temas? Observe que uma inteligência enxadrística normalmente é mais concreta, metódica e calculista, enquanto que uma inteligência musical é mais caótica e espontânea, principalmente se estivermos falando de um compositor musical, alguém que esteja habituado a criar melodias sonoras. Pode haver enxadristas com estilos de jogo similares ao que foi descrito como inteligência musical aqui, assim como músicos e compositores musicais que sigam lógicas metódicas similares ao que foi descrito aqui como uma inteligência enxadrística. Sendo assim, é possível concluir que a relatividade ante a individualidade do ser humano prevalece, podendo haver pessoas com personalidades e jeito de ser distintas e relações distintas com a música e com o xadrez.

Contudo, sempre haverão estilos preferidos para quem ouve música e para quem joga xadrez. Capablanca era um jogador de xadrez tido como posicional, Anand um jogador tido como natural e intuitivo, Botvinnik e Kasparov referências em cálculo e assim por diante, do mesmo modo que a música clássica pode ser tida como o suprassumo estético da música, o rock’n’roll como a rebeldia social e sonora e o samba como a miscigenação histórica e genuína das culturas que formaram a identidade do povo brasileiro.

Entretanto, para ser um bom músico é necessário conhecer ou buscar conhecer bons artistas de cada estilo musical, assim como no xadrez, em que para se tornar um excelente enxadrista é necessário conhecer diversos estilos de jogo praticados por jogadores emblemáticos da história desse esporte, como os citados anteriormente. Mesmo assim, o que poderá ser um diferencial importante para você em ambas as áreas é buscar encontrar os seus próprios pensamentos e diretrizes pessoais de jogo no xadrez e de apreciação ou criação musical na música, pois a cópia não resolve a vida de ninguém, já a referência pode ser um bom caminho para iniciar.

#pensenisso!

Movam seus peões!

Alexandre Herzog

Um comentário em “Xadrez e música?!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s