rei-notrono1 e4 e5 2 f4

Esses movimentos caracterizam a proposta dessa abertura, que é conhecida como o gambito do rei. No xadrez a estratégia dos gambitos consiste em oferecer um peão ao adversário em troca de compensações significativas, que podem ser desde a retomada da iniciativa até a criação de uma valiosa vantagem posicional, por exemplo, havendo espaço ainda para uma infinidade de outras propostas, posto que esse é um jogo com possibilidades extraordinárias e praticamente infinitas.

Levando isso em conta, é possível fazer uma associação de que quem joga gambitos tem um perfil de jogo mais agressivo, principalmente se buscar esses propósitos desde a abertura. Definitivamente isso não garante a vitória antecipadamente, mas pode ser um bom “cartão de visitas” ao adversário.

No caso do gambito do rei, como se vê no diagrama abaixo, existem algumas propostas teóricas por trás dessa oferta de peão.

gambito de rei.png

Com o lance 2 f4, há que se observar as alterações que ele produz no tabuleiro por diversos ângulos. Avançar tal peão cria uma ameaça direta ao peão de “e5”, o que de cara, propõe um “desafio” para as negras: capturo ou não esse peão? Seja qual for a decisão das negras existem ainda outras propostas e alterações no tabuleiro que podemos observar.

Em termos de “logística”, avançar o peão “f” até a casa “f4” abre uma diagonal para a dama negra ir até a casa “h4”, na qual ela dá xeque ao rei branco. Não necessariamente as negras decidirão por essa jogada imediatamente, mas com o avanço desse peão ela se configura em uma jogada possível para as negras, algo como uma “carta na manga” para um momento oportuno. Contudo, ao menos por ora não é muito esperto considerar essa possibilidade como uma debilidade na posição das brancas, é apenas uma porta aberta que pode se fechar em seguida.

Outra proposta teórica que advém da jogada “f2-f4” é o seguinte: as brancas têm a intenção de explorar a coluna “f” após o roque, quando o rei fica protegido e a torre indo para essa coluna se torna uma arma poderosa para atacar a ala do rei adversário. Para isso devem retirar o cavalo e bispo, nessa ordem, para poder tornar viável esse plano. Mas e por que nessa ordem? Simplesmente por conta da ameaça “virtual” de avanço da dama negra criada pelo avanço do peão “f” a “f4”, que após exf4, já tem totais fundamentos para acontecer. Trata-se de uma proposta de alto risco, posto que se não for executada na ordem correta pode levar a uma derrota rapidamente, por conta de se estar querendo levar o jogo dos dois lados para essa ala desde o início.

O bispo, quando o movemos, nós o levamos a casa “c4”, na qual ele atua pressionando a casa “f7”, deixando pronta assim a estrutura posicional que é a proposta dessa abertura, criando dois pontos de ataque sobre a casa “f7”, que juntamente com a casa “f2” são as duas mais fracas do tabuleiro, posto que somente o rei as defende. A coluna “f” agora se tornará uma coluna semiaberta na qual as brancas têm um domínio das ações por conta da torre e a casa “f7” um ponto a ser defendido pelas negras por conta do ataque do bispo e da torre brancas.

As compensações pelo sacrifício do peão “f” ofertado às negras agora, se tornam mais visíveis. Com a aceitação do sacrifício o forte peão central das negras é atraído para a coluna “f” onde fica fraco e o tempo que as brancas ganharam com isso pode ser usado para desenvolver suas peças. É possível observar também que, caso o peão que está em “f7” avance teríamos peões negros dobrados nessa coluna, o que na teoria enxadrístrica é considerado uma fraqueza.

Há várias formas de responder a essa ousada proposta, mas todas passam por aceitar ou não esse desafio e, cada uma delas se baseia em lógicas próprias para fazer isso. Na sequência de artigos sobre essa abertura estaremos estudando os planos das principais respostas negras para o gambito, analisando as possibilidades de ambos os lados.

Historicamente essa proposta de abertura já foi usada por muitos jogadores antigos, como Greco e Rudolf Spielmann, por exemplo. Contudo, há um bom tempo não vem sendo utilizada pelos GM’s de nossa geração, que comumente têm preferido escolher outras formas de iniciar as suas partidas. A exceção foi uma partida ocorrida ontem, 20/01/2017, na competição Tata Steel, na qual o GM Baskaran Adhiban usou contra o também GM Wesley So.

 Estatísticas

2.f4 eventualmente aparece nos jogos dos jogadores de elite, mas é mais freqüente entre os jogadores de nível clube. As Brancas tem 51% de vitórias se as Pretas responderem com exf4 e 53% se responderem d5.

 

 Alexandre Herzog

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