falkbeer1 e4 e5 2 f4 d5

Saudações enxadrísticas! Mais uma forma de jogar o gambito do rei e não aceitar a oferta do sacrifício de peão em “f4”. Essa proposta leva o nome do jogador austríaco Ernst Falkbeer, que também era jornalista, tendo editado colunas sobre xadrez em jornais e revistas da sua época. Ele viveu de 1819 a 1885.

Muito bem, dito isso analisemos a posição resultante após o movimento 2 … d5.

falkbeer

O movimento “d5” produz uma importante alteração posicional no jogo. Ele desafia o centro branco, ameaçando capturar o peão “e4”. Está mantida ainda a ameaça virtual da Dama negra na diagonal “d8-h4”, mas está em aberto a disputa pelo centro. Brancas pressionam “e5” e negras pressionam “e4”. E agora?

É interessante observar também que foram criadas ainda, outras possibilidades para as negras. Ambos os bispos têm condições de entrar em jogo no próximo lance. De momento, a matemática seria essa: brancas podem desenvolver ambos os cavalos, a Dama e o bispo de casas brancas enquanto as negras podem desenvolver o par de cavalos, o par de bispos e a Dama. Claro que todos os 6 peões restantes em cada lado podem se mover até duas casas no próximo lance, mas o lance “d5” revoluciona a posição justamente por ampliar as possibilidades das negras, em termos de mobilidade das suas peças e criação de ameaças concretas ou virtuais para as brancas.

Mas e de quem é o centro? Tudo está em aberto. Vejamos algumas possibilidades de continuação para essa proposta:

3 Nc3 – Milner Barry

O jogador Milner Barry introduziu esse movimento, que basicamente defende o peão e4 e desenvolve o cavalo. Contudo, após “d4” é possível que as negras capturem o peão “f4”, porque o cavalo teria que se mover para se defender. Considerando o que a teoria enxadrística diz sobre aberturas não seria uma ideia muito usual, posto que se move uma mesma peça duas vezes nessa etapa. Como nada é definitivo nesse esporte, isso pode ser justamente o objetivo de um dos dois lados, assim como ocorre na abertura Alekhine.

3 Nf3 – Variante Tartakower

O mestre Saviely Tartakower lançou esse movimento, que reforça a ameaça ao peão “e5” das negras. É uma ideia interessante, pois o dilema não será resolvido imediatamente, mas se as negras capturarem o peão em “e4” ameaçando o cavalo, elas permitirão que esse capture o peão em “e5” produzindo uma forte ação central para as brancas que estariam levando o seu cavalo a uma das casas em que ele é mais potente no tabuleiro. Aconteceria a questão de mover uma mesma peça duas vezes, mas com resultado posicional melhor para as brancas.

3 exd5

Esse movimento leva a dois planos principais de continuação: 3 …e4 e 3 … c6. Mas vamos entender primeiro o que capturar em “d5” representa. Basicamente é uma escolha por iniciar uma tentativa de resolver o mistério do domínio central, mas convida a Dama negra para o jogo após essa captura. Se negras vão capturar ou não com a Dama é outra história. A teoria enxadrística considera que mover a Dama prematuramente pode torna-la um alvo fácil para ataques de peças adversárias que podem se desenvolver atacando a Dama. Nesse caso isso se verificaria após 4 Nc3 se as negras optassem por mover a sua dama até “d5” capturando o peão. Esse tipo de movimento tem mais a ver com jogadores agressivos. As outras sugestões descritas anteriormente tendem a ser mais estratégicas e posicionais. Outra observação ainda, é que exd5 diminui um pouco a mobilidade conseguida pelas negras após o lance “d5” que caracteriza a abertura que estamos estudando.

3 exd5 c6 Contra gambito Nimzovich

Desenvolvida por Aaron Nimzovich, permite desenvolver o cavalo em troca de mais uma captura de peão em “c6”, na matemática do xadrez essa proposta visa dar uma peça em troca de um tempo a mais, iniciativa e desenvolvimento do cavalo nesse caso.

3 exd5 e4

Essa continuação já foi jogada por grandes jogadores como Lasker, Spielman e Chigorin usando as brancas e Frank Marshall com as negras. Nessa ideia ocorre a questão de mover uma mesma peça duas vezes, mas esse movimento cria fortes tensões no campo das brancas. As brancas têm dois peões desenvolvidos, mas estes não estão conectados. Um deles, o peão em “d5” está sob ameaça direta de captura por parte da Dama negra, já o outro peão, posicionado em “f4” está solitário e vulnerável, posto que nesse momento ninguém o defende. As negras podem ameaça-lo posteriormente ou ainda bloquear seu avanço com o movimento Bf5 que também defenderia o peão isolado negro. Outra possibilidade de fazer isso seria com o cavalo em “f6” que permitiria apoiar um ataque do bispo de casas brancas à Dama adversária, além de defender o peão.

Outras possibilidades de continuação seriam:

4 Nc3 Nf6 5 Qe2 Variante Rubinstein

4 Bb5+ Variante Nimzovich

4 d3

4 d3 Nf6 5 Nc3 3 Bb4 6 Bd2 e3 Gambito Morphy

Com isso é possível verificar mais uma vez que sempre podem existir muitas propostas de jogo no xadrez. Cada uma tem uma ideia que a orienta e, por isso, pode ser interessante num estudo de aberturas buscar conhecer essas ideias ao invés de tentar decorar os lances. Os grandes mestres de hoje não sabem de cor todas as variantes de todas as aberturas catalogadas e, na verdade, reter essas informações nem mesmo é útil. Contudo, o que eles sabem, e que é o principal, é reconhecer a proposta teórica de cada movimento numa abertura e formular a sua própria resposta baseada em movimentos com respaldo técnico e teórico dos seus estudos preparatórios e da sua própria intuição e criatividade pessoal.

Fica a dica para quem opta por estudar aberturas, tente compreender as propostas dos lances e identificar qual proposta combina mais com o seu estilo de jogo e sua personalidade.

Bons estudos!

Alexandre Herzog

4 comentários em “Gambito do Rei – Recusado – Parte 2 – o Contra Gambito – Falkbeer

  1. Oi Moacir, realmente não comentei sobre essa possibilidade e ela de fato existe como você bem mencionou. Muito bem, observando a posição resultante dessa proposta vejo que a ação da Dama negra na diagonal d8-h4 permanece, assim como a da Dama branca na diagonal d1-h5, mas com a diferença que a Dama negra indo à casa h4 dá xeque ao rei adversário. Nessa posição, as brancas têm 4 peças médias que elas podem desenvolver e as negras 5, com apenas algumas restrições de movimentos do cavalo negro em b8 devido ao peão em d5 agindo sobre a casa c6. Os peões estão dispostos no centro, mas na comparação entre um e outro ouso apontar que o peão negro está trazendo ameaças mais concretas para as brancas do que o peão branco para as negras, mesmo ele estando mais centralizado e podendo ser apoiado de diversas formas em seguida. Contudo, isso é uma questão perceptiva e afirmar que essa proposta é boa ou ruim teria a ver com julgamento de valor, o que não é nossa proposta ao formular os artigos que trazemos aqui. Na verdade, buscamos trazer as principais linhas conhecidas e há espaço para trazer novas possibilidades, assim como você o fez. Gratidão por comentar e trazer essa outra possibilidade.

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  2. De fato é uma opção pouco utilizada, mas para poder concluir se é jogável ou não talvez seja necessário você jogá-la algumas vezes e verificar que tipo de meio jogo e finais ela proporciona para então poder avaliar se é boa ou ruim. Eu confesso que achei interessante inclusive, mas tenho a impressão que essa proposta está mais voltada a ganhos táticos e materiais do que posicionais, por exemplo, o que não quer dizer rigorosamente nada, posto que durante a partida quem joga é que sabe e que escolhe os planos que quer ter para cada posição.

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