calendarioSaudações enxadrísticas!

No artigo anterior foram dadas algumas sugestões para que o seu plano de treinamento em xadrez seja realmente eficiente para você atingir os seus objetivos. Muitas pessoas que começam a se envolver com esse esporte e vislumbram os valiosos benefícios que ele nos traz, desenvolvem um profundo desejo de se aprofundar no jogo. No universo de torneios de xadrez é possível conhecer novos jogadores, fazer amizades, trocar conhecimentos e experiências, dicas de estudos e ainda, conhecer novos lugares e culturas locais. Tudo isso é possível, mais a incrível transformação que esse esporte faz no nosso jeito de ser quando o vivemos da maneira mais plena, ampliando nossas percepções e desenvolvendo nossa alma.

Muito bem, vamos imaginar que você está começando agora e que tenha um rating inicial de 1000 e você deseja chegar ao patamar de 2000. Esses valores são apenas simbólicos, não condizem com o seu nível real de jogo, que pode ser menos ou mais que isso. Contudo, note que sua meta é audaciosa, pois você quer dobrar o seu rating! Para quem não sabe o que a palavra rating significa, temos um artigo sobre isso na sessão diversos deste blog.

Sendo assim, a primeira sugestão do artigo anterior foi atendida, você definiu um objetivo para o seu treinamento. Todavia, é necessário definir algumas metas, como o tempo que você pretende levar para atingir esse objetivo. Eu diria a você que você não precisa ter pressa, mas isso será sempre uma escolha sua.

Imaginando que você tenha atualmente o xadrez como um hobbie, mas que gostaria de disputar torneios e melhorar o seu nível de jogo e que, você tenha uma família formada e uma ocupação profissional, sua rotina de estudos, ao menos inicialmente, não poderá ser a rotina que se recomenda para se tornar um Grande Mestre, que é de 8 a 12 horas por dia. Não há esse tempo, por isso você precisa identificar qual o tempo que há e definir uma rotina que melhor se encaixe a esse tempo. Há muitas coisas que precisam ser treinadas e estudadas, mas você não precisa fazer tudo isso em todos os dias que você for treinar xadrez.

Existem muitas formas pelas quais as pessoas aprendem e por isso foi sugerido no artigo anterior que você refletisse sobre qual delas lhe dá os melhores resultados. Contudo, em nenhum momento foi dito que você deveria focar somente nessa forma de aprendizado. Aliás, aprender através de uma busca por estímulos nos diversos canais de aprendizado que existem pode ser uma ótima estratégia para turbinar a sua evolução no jogo.

Dessa forma, chegamos agora a um momento crucial na tarefa de formular o seu plano de treinamento: a sugestão de que ele deva conter as três fases da partida e as quatro matrizes do xadrez, além é claro, dos exercícios de cálculo. Todas essas premissas devem ser exercitadas no seu treino se você pretende evoluir nesse esporte. Mas por quê? Porque em cada fase do jogo nós observamos, analisamos e avaliamos a posição, identificamos objetivos a serem alcançados nela e usamos nossos conhecimentos sobre cada matriz, sobre teoria enxadrística e estratégia para elaborar planos que nos permitam alcançar esses propósitos. Mas a questão não se encerra aí, feito esse processo ainda existe a tarefa de calcular variantes de movimentos que sejam realmente efetivas para nós podermos realizar o que identificamos como tarefa para a posição, só aí é que decidimos qual lance fazer e o jogamos. Tudo isso é um caminho que trilhamos e que pode ocorrer no espaço de um minuto ou até no espaço de uma semana, dependendo do ritmo e da modalidade em que estivermos jogando xadrez. Para isso, convém lembrar que neste blog temos sessões sobre aberturas, estratégia, exercícios de cálculos, séries de artigos sobre as matrizes e os cálculos em que você poderá estar buscando conhecimentos para fundamentar o seu estudo.

Mas considerando o contexto de treinamento trazido aqui, fazendo algumas pequenas associações podemos iniciar a formulação de um plano que permitirá você estar evoluindo em todos esses segmentos ao longo de um ano. Por exemplo, se são três fases do jogo, quatro matrizes e doze meses num ano, todos esses números contém boas relações matemáticas. Você poderia pegar um calendário, por exemplo, e determinar o seguinte, lembrando que se trata apenas de uma sugestão:

-nos meses de janeiro a março: focar nos estudos sobre a matriz posicional, buscando exercícios sobre esse tema em livros, na internet ou em outras fontes que você tenha acesso; escolher uma ou mais aberturas, de acordo com as suas possibilidades, para estudar suas variantes e fundamentos teóricos, além de realizar jogos contra adversários conhecidos em ambiente virtual ou real.

Partindo dessa ideia, o primeiro trimestre do ano estaria bem preenchido em termos de assuntos relacionados ao xadrez e nos três seguintes você iria trocando a matriz que você está estudando e inserindo as outras etapas do jogo no seu plano de estudos. Este plano sugerido aqui até o presente momento segue orientações genéricas, mas pensando principalmente no contexto que apresentamos nesse artigo, considerando uma evolução gradual. Porém, existem outras habilidades que o enxadrista precisa desenvolver que não estão necessariamente vinculadas a conhecimentos teóricos do esporte como a atenção, a memorização, o equilíbrio e a concentração, só para citar alguns.

Essas outras habilidades exigem propostas de treinamento próprias, que serão trazidas neste blog em breve e, como elas se originam de questões biológicas, você poderá encontrar informações instrutivas nos artigos da série neurociência e xadrez, que pretende fundamentar essas ideias.

Cada fase do jogo tem uma lógica própria e por isso é interessante estuda-las individualmente, assim como cada matriz. Contudo, a avaliação da posição e o cálculo são coisas que devem ser sempre estimuladas, mesmo que o jogador tenha preferência por fazer jogadas a partir da sua intuição. Dito isso, quando se encerrar essa série nós poderemos ter uma proposta de calendário de estudos completa e funcional para que você encontre a sua evolução no esporte.

Bons estudos, até a próxima!

Alexandre Herzog

4 comentários em “Treinando xadrez – parte 3 – criando uma rotina de estudos

  1. Não entendi bem o que são mattimes do xadrez e gostaria de um plano real con o que estudar em qual dia e quanto tempo. Parabéns pela série de artigos.

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  2. Rodrigo, para poder escrever a sequência dessa série sobre os treinamentos vou ter que dar uma ampliada na série de neurociências e xadrez, mas em breve haverá a continuação da série de treinamentos. Gratidão por comentar.

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  3. Oi Thiago, tudo bem? Gratidão pelo comentário. As matrizes do xadrez são como diretrizes lógicas para elaborar planos e jogadas, você poderá ter uma compreensão melhor lendo os artigos sobre as matrizes na sessão de reflexões. Por enquanto temos artigos sobre a matriz estratégica e a matriz tática, as outras duas deverão ter seus artigos escritos em breve. Quanto a um plano real, eu não saberia te dar um exemplo concreto, porque depende de vários fatores. Tanto você pode ter três horas por dia para dedicar a esses estudos, quanto, de repente, você pode ter apenas meia hora. Há muitas variáveis relativas que influem nessa questão. Por isso as sugestões mais genéricas do artigo. Mas repare que essas sugestões atenderam apenas a uma parte do que seria um treinamento completo de um atleta jogador de xadrez, na verdade estamos ainda em busca da elaboração de um plano eficiente e os próximos artigos poderão nos ajudar a atingir esse objetivo. Abraço.

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