imagesA maior mudança conceitual na estratégia de abertura e meio-jogo, nas três últimas décadas, tem haver com os avanços dos peões de flanco. A teoria tradicional era extremamente cautelosa na utilização dos peões de a, b, g e h, tanto no ataque como para ganhar espaço, exceto em circunstâncias muito concretas. A idéia geral, era de que o avanço desses peões tendem a criar pontos fracos, e portanto deveria ser evitado. A regra particular de aplicação era que um centro estável, ou bloqueado, era um pré-requisito para o avanço dos peões de flanco.

Isto foi considerado especialmente verdade para os peões do flanco Rei, e pela mesma razão, para todo avanço de peões do flanco, em que o Rei estivesse posicionado. Em partidas comentadas, frequentemente podemos ver que se atribui a desvantagem ou a derrota de um ataque de flanco com o centro não estabilizado. Naturalmente os jogadores as vezes admitiam excessões a estas regras, sobretudo quando em uma determinada posição a prática revelava que os perigos são apenas aparentes.

Mas em meados do século XX, esta atitude predominante começou a mudar gradualmente, e a geração atual de jogadores, todo este conjunto de regras e preceitos foram deixados de lado. Como sempre no Xadrez atual, prevaleceu o pragmatismo. Os avanços de flanco podem, as vezes, constituir uma debilidade permanente. Mas frequentemente são desejados e/ou necessários ou ainda não se resolveu a situação central.

Antes de entrarmos com os exemplos, vale a pena considerar quais são as principais razões para efetuar avanços de flanco em plena abertura. Existem neste sentido, numerosas idéias e qualquer exemplo concreto de um avanço de flanco provavelmente mais de uma, mas aqui vai uma breve lista:

  • A motivação mais evidente é o ataque direto e imediato ao Rei. Esta é a razão mais habitual porque os jogadores da era pré-moderna lançavam seus peões de flanco à frente, convencidos de que um ataque eficiente justificava as consequentes debilidades. Contudo vale a pena enfatizar que é frequente ver jogadores fortes recorrendo ao ataque por força bruta, desprezando os princípios tradicionais do jogo central. Isto pode resultar que a reação defensiva a um ataque direto implique em concessões posicionais na batalha que se segue;
  • Outra razão para avanços de peões na abertura é desviar as peças contrárias, afim de aliviar a pressão que estas exercem sobre a própria posição, eliminar defensores e/ou enfraquecer a coordenação de peças inimigas;
  • As jogadas de flanco servem cada vez com mais freqüência, a um propósito profilático, que seria o de impedir jogadas “chatas” de peões ou de peças por parte do oponente;
  • Uma importante razão posicional para os avanços de peão de flanco é ganhar espaço, independentemente de que exista ou não um projeto de ataque ou das debilidades internas que isto possa derivar. Com o controle de espaço, o desenvolvimento pode se tornar mais fácil e as peças do setor podem adquirir mais mobilidade. Antes o espaço central se considerava a chave absoluta para uma liberdade geral e mobilidade das próprias peças e por isto, segue tendo um fator essencial. Mas como já sabemos, a necessidade de defender os peões centrais e impedir os ataque para eles dirigidos, podem conter também as próprias peças. As conquistas de espaço de flanco expressam a idéia implícita de que os movimentos de peças em um setor do tabuleiro, com apoio de seus peões, podem, as vezes, ter tanto ou mais efeito do que aqueles apoiados por peões centrais. Naturalmente, tais considerações são amplas para analisar fora do contexto de posições particulares, e entram necessariamente em conflito com outros importantes fatores.

Varela

 

 

 

 

 

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