realismoSaudações! Chegando ao fim das reflexões sobre as matrizes, eu vos apresento minhas considerações sobre a matriz realista. É impossível falar dela sem citar os engines, que são os motores de cálculo do xadrez. Atualmente temos vários desses e eles inclusive disputam um campeonato entre eles. Talvez os mais conhecidos e divulgados sejam o Komodo, Houdini e Stockfish, mas existem ainda o Crafty, Rybka e Jonny, só para citar alguns.

O que caracteriza e fundamenta essa matriz é o cálculo. A matriz realista é cálculo puro. Muitos enxadristas humanos desenvolveram cálculos supremos e, talvez o principal expoente seja Gary Kasparov, cujos cálculos ao longo de sua carreira se revelaram e se mantiveram precisos. Contudo, como esse jogador não é uma máquina, volta e meia ele fazia movimentos ditos “blunders” ou outras imprecisões que lhe custavam algumas partidas. Também os computadores e motores de xadrez erram, mas não por uma questão de serem programados para errar como em engines de nível inferior de softwares de treinamento em xadrez, mas simplesmente por conta de fatores do jogo, como a iniciativa. A iniciativa pode se alternar ao longo de uma partida e, em tese, se nenhum jogador errar o jogo se direciona ao empate, seja entre adversários humanos ou engines.

Contudo, mesmo num jogo entre engines no qual em tese não há erros pode haver um vencedor, mas aí isso ocorre em partidas com um número maior de lances do que seria num jogo entre humanos. Por quê? Os engines normalmente iniciam e se mantém nas diretrizes da matriz posicional durante os seus cálculos, isso não quer dizer que não façam sacrifícios táticos, apenas quer dizer que eles costumam considera-los a partir de momentos em que a posição esteja definitivamente ganha na sua avaliação.

Os cálculos que as engines fazem consideram a direção futura do jogo e normalmente resultam e m combinações de até 8 a 10 lances. Mesmo elas não conseguem calcular uma partida inteira de início e isso, na verdade é um desperdício de energia. O que é feito para facilitar o seu trabalho é que elas armazenam bancos de dados de aberturas tradicionais e menos usuais e suas principais variantes conhecidas, então elas não precisam usar todo o seu processamento desde o início e isso as fortalece do meio jogo para o final.

Mas já que essa matriz se refere basicamente a cálculos, como andam os seus cálculos? O que você considera para elaborar os seus cálculos? Defender? Atacar? Defender atacando? Atacar defendendo? Simplificar? Note que há sempre várias possibilidades e elas podem ser muito abrangentes como “atacar defendendo e reposicionando”, por exemplo, um bom cálculo considera ou busca considerar todas as variáveis da posição, sejam elas táticas, estratégicas ou outras. Portanto, isso me leva a crer que o cálculo está intimamente ligado à observação, compreensão e análise da posição, o que pode ser um problema para enxadristas iniciantes ou até para os GMs, o que se verifica menos é claro, posto que eles normalmente detêm o suprassumo da compreensão humana sobre o jogo. Somente depois dessa parte é que entram a elaboração de planos, testagem de variantes, avaliação e tomada de decisão, processos esses que constituem o cálculo.

De momento há no blog um artigo com reflexões sobre os cálculos, mas em breve pode haver uma série com estudos focados nas suas diferentes etapas, como elas foram citadas aqui. Aguardem, pois novas reflexões virão. Todavia, enquanto isso não acontece, movam seus peões!

Alexandre Herzog

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