observadorSaudações enxadrísticas! Esse artigo vos é trazido aqui com a missão de sugerir uma forma eficaz de avaliar as posições que ocorrem em uma partida de xadrez. Podem existir várias formas para fazer isso, portanto lembrem-se bem de que esse conteúdo se trata apenas de uma reflexão e uma SUGESTÃO de como realizar essa tarefa. Não pretendo com isso determinar que essa seja uma estratégia padrão ou a única estratégia, ou ainda, a estratégia mais eficiente. Trata-se apenas de uma sugestão de como fazer essa tarefa, que é tão importante em uma partida de xadrez.

Primeiramente, façamos uma reflexão. Quando o adversário faz um movimento, invariavelmente alguma coisa se altera no tabuleiro. A alteração mais simples é de ordem logística e geográfica, como sugere a descrição 1-e2-e4. Essa descrição nos mostra que um peão que estava na segunda casa da coluna “e”, se dirigiu até a quarta casa da mesma coluna. Simples assim.

Pode ser útil na nossa reflexão compreender filosoficamente o processo que ocorre entre o momento que o adversário fez o seu lance até o momento em que nós fazemos o nosso. Basicamente, nós observamos nosso oponente mover uma peça, observamos o que mudou no tabuleiro, buscamos compreender o que essa alteração representa, buscamos identificar os objetivos da posição e elaboramos planos de jogadas; os quais testamos através do cálculo até escolher um que aparente ser o mais eficiente, e então decidimos e fazemos a jogada. É um caminho aparentemente longo, mas que não necessariamente leva muito tempo para ser percorrido. Por vezes, nós seguimos nossos impulsos e decidimos rapidamente, principalmente quando nós estamos pressionados pelo relógio.

Mas e aí? Como avaliar uma posição em uma partida de xadrez? A sugestão desse artigo é que nós primeiro aprendamos a observar e descrever uma posição e compreendamos a relação entre as duas tarefas. Observar, é a parte mais simples, nós podemos fazer com os nossos olhos. Agora, descrever já é um pouco mais complicado. Observe a figura a seguir:

fiacnhetoo

Como você descreveria essa posição?

Se você me disser que se trata de um fianchetto, eu vou te dizer que você está errado. Aí você me diria: mas essa posição é mundialmente conhecida como fianchetto e reconhecida pela FIDE e pela ECO como tal. Que há de errado nisso? Eis a resposta, não é a informação que está errada é a sua descrição. Vejamos o porquê ela está errada. Descrever é apenas descrever, você descreve uma posição como essa dizendo algo como: com exceção de g3, todos os peões estão na posição inicial, o bispo está em g2 e o cavalo está em f3, a torre está em f1 e o rei está em g1 enquanto as demais peças permanecem em suas posições iniciais. O termo fianchetto foi criado pela teoria enxadrística para simplificar e explicar essa estrutura de peças de uma forma mais sintética. Ela pode ocorrer após uma sequência de lances que não tem uma ordem obrigatória. Tudo isso, serve para nós avançarmos mais um passo. Existem as situações concretas e as inferências.

Um exemplo de situação concreta seria a descrição que eu trouxe da posição e um exemplo de inferência seria o termo “fianchetto”, o qual eu trouxe também para explicar a mesma posição. O que podemos entender por inferência? Seriam explicações e neologismos complementares que nós fazemos por dedução para as coisas que nós observamos. Para fazer isso, normalmente nossas mentes se utilizam de informações que nós tenhamos absorvido previamente. Portanto, se você me respondeu que essa posição era um “fianchetto” sua percepção provavelmente reconheceu aquela disposição de peças e automaticamente a associou com uma memória visual a qual estava pareada nos seus registros mnemônicos com o termo “fianchetto”. E, se isso estava armazenado dessa forma na sua memória, eu sou capaz de supor que você possa ter absorvido esse conhecimento a partir de um vídeo ou da leitura de um livro sobre xadrez.

Todavia, essa diferença pode ser observada através de outros exemplos de modo mais prático. Veja: um homem levanta o braço direito, na sua mão direita ele segura um celular, com os dedos ele pressiona os botões e logo após ele o posiciona próximo ao ouvido e passa a movimentar sua boca frequentemente por um tempo. Esse seria um exemplo de uma descrição de um evento ou comportamento. Agora, considerando a ideia de inferência o mesmo exemplo poderia ficar assim: um homem pegou o telefone para pedir uma pizza. Tanto uma quanto a outra podem ser verdadeiras, se o diálogo que se produzir ao telefone for de fato um pedido de tele entrega de uma pizza, mas se não o for, apenas o primeiro exemplo de fato descreve o que aconteceu, porque o faz de modo concreto sem considerar variáveis externas.

Esse exemplo eu vos trouxe para fundamentar o que foi sugerido anteriormente: para compreender adequadamente uma posição no xadrez pode ser necessário primeiro saber observá-la e descrevê-la coerentemente. Feito isso, nós partimos para a tarefa da análise e as demais. Será que você tem observado atentamente as alterações produzidas no tabuleiro pelos lances dos seus adversários? Você tem sabido descrevê-las adequadamente? No próximo artigo, falaremos sobre a tarefa de analisar a posição e aí enfrentaremos as inferências, discutindo sobre como elas interferem no processo de tomada de decisão de um jogador de xadrez.

Mas ate lá…  #pensemnisso!

Movam seus peões!

 

Alexandre Herzog

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s